Sábias as palavras do rei Salomão: Sem Deus tudo na vida é vaidade, porque tudo vai passar e perder sua importância um dia. Hoje eu gostaria de tratar de um assunto que na denominação batista é, de certa forma, coadjuvante, porém, principalmente nas igrejas pentecostais trata-se de um antagonista que muitas vezes é responsável pelos desvios de muitas pessoas. Quero falar sobre o significado do termo vaidade. Ricardo Gondim, autor do livro “É proibido – o que a bíblia permite e a igreja proíbe” nesse livro afirma que “As igrejas evangélicas brasileiras têm grande dificuldade de compreender o termo ‘vaidade’ que, no jargão próprio do mundo dos crentes, carrega toda uma conotação pejorativa. Gostar de vestir-se com esmero, adornar-se com qualquer jóia ou cuidar do cabelo, tingindo-o ou penteando-o de alguma forma estética, é considerado pecado na maioria das nossas igrejas.” Isso é lamentável, principalmente por ser motivo de muitos desvios e afastamentos de jovens, principalmente, por não conseguirem freqüentar igrejas que impõem regras e sufocam a convivência em determinados ambientes. Para discorrermos o assunto é imprescindível sabermos o significado de vaidade, conforme o autor em comento “Vaidade no hebraico advém de duas palavras. Primeiro, de habel, que significa vazio, oco. Seu uso no Antigo Testamento estava muito relacionado ao abandono do único Deus verdadeiro e à busca de ídolos que não podiam satisfazer às necessidades de Israel pelo simples fato de não existirem. A adoração a ídolos, então, tornou-se sinônimo de vaidade, pois era como se o povo israelita estivesse buscando ajuda no vazio.”. Conforme 2Reis 17:15; e continua: “A segunda palavra hebraica era shav, que assumia uma conotação também de vazio, mas com uma compreensão mais ligada à desolação, abandono. Jó usa essa expressão quando se sente vazio, pois se vê abandonado e percebe sua vida esvair-se em nada. A palavra sopro, no texto abaixo, é a mesma palavra hebraica traduzida por vaidade”. Conforme Jó 7:16. O autor é contundente: “quando a Bíblia fala de vaidade, seu significado é sempre sopro, efemeridade, algo vazio. Daí o Salmo 39:5 declarar: Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à tua presença o prazo da minha vida é nada. Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade.” Jesus trata também a vaidade como algo vão, inútil ou inconsistente. Para mim a pior forma de ‘vaidade’ nem é a material, mas sim a espiritual. A própria liderança da igreja envaidecida de cargos ‘espirituais’ e convencida de poderes extremos de altíssima ‘santidade’ e ‘autoridade’ faz questão de mostrar o abismo entre ela e os pobres mortais ‘fieis’, é nesse fosso intransponível que se sustenta seus controles e soberanias. É no intangível que mantêm a reverência e a obediência, neles mesmos, por parte dos ‘fieis’. Precisamos estar atentos aos líderes religiosos que estão à frente dos trabalhos das igrejas, é muito fácil identificar os fascistas, pois a rigidez e a mão-de-ferro são características inerentes a esses ditadores que se auto-intitulam representantes divinos, mas que na verdade estão interessados em manter nossa vida sobre seus controles. Hoje vivemos em distorções e muitas vezes misturamos o sagrado com o profano, o que vem de Deus e o que vem dos homens, o saudável com o conveniente, parecemos estar perdidos quanto ao que convém e ao que é lícito. O nosso vestir e o nosso portar-se devem ser aprovados por Deus, nosso compromisso e nossa fidelidade a Deus são suficientes para entendermos qual a melhor maneira de apresentar-nos diante dEle e dos homens. Para finalizar quero registrar as palavras citadas por Gondim e que são atribuídas a A. W. Tozer: “Há um texto de Tozer, escrito em 1959, impressionante pela sua atualidade: "Hoje, mais do que nunca, nós cristãos precisamos aprender a santificar o comum. Esta geração é uma geração cansada do prazer. As pessoas foram superestimadas, a tal ponto que os seus nervos se estafaram, e os seus gostos se corromperam. As coisas naturais foram rejeitadas para dar lugar às artificiais, o sagrado foi secularizado, o santo foi vulgarizado, e o culto converteu-se numa forma de entretenimento. Uma geração narcotizada e de coração obscurecido está constantemente à procura de algo novo, de algum novo excitamento bastante poderoso para dar emoção às suas sensibilidades desgastadas e entorpecidas. Tantas maravilhas foram descobertas ou inventadas que nada na terra causa admiração, nem por pouco tempo. Tudo é comum e quase tudo é enfadonho”.

2 comentários:
Mari, tu sabes uma coisa que clicou no meu coco dia desses? Eu ficava observando coisas do tipo corrida de fórmula 1, jogos de futebol, campeonatos mundiais, invenções e descobertas de homens fantásticos e ficava admirando esses homens e mulheres que realizavam essas coisas. Ficava observando como os dias parecem voar agora que somos mais maduros e cheguei a conclusão que fomos criados pra realizar, pra fazer, pra construir alguma coisa que seja útil não só para nós, mas para qualquer pessoa que estiver à nossa volta. Fomos criados para criar e é lógico que pense dessa forma, pois fomos criados à imagem e semelhança de Deus e por isso ansiamos criar alguma coisa, realizar, concretizar alguma coisa em nossa curta existência humana. Tudo se torna vaidade e correr atrás do vento quando não faz sentido! Trabalhar exaustivamente e não aproveitar o fruto desse trabalho é vaidade; preocupar-se em demasia com a beleza ou querer alcançar uma beleza extrema é vaidade; dar valor a pessoas ou coisas que não vão acrescentar nada à nossa vida é pura vaidade! Eclesiastes nos convida a analisar com maior profundidade as nossas realizações diárias e procurar minimizar aquelas que podem se enquadrar como vaidade, tentando tornar a vida com sentido de ser vivida e compartilhada, uma vez que não vivemos sozinhos, mas compartilhados com todos. Acho que isso deveria ser mais arraigado em mim, eu deveria pensar nisso mais vezes e deixar as picuinhas de todo dia de lado.
Esse é o intuito! fazer nós pensarmos sobre as vaidades da vida. Somos seres sociáveis e interdependentes é a "teia da vida" o que deixaremos para a humanidade? para os nossos filhos?
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